Marrocos

No final de 2017, sem conhecer o destino e não tendo qualquer expectativa, duas pessoas decidiram aventurar-se pelo país marroquino. Fizemos 8 cidades de Marrocos, de carro, saindo de Lisboa e atravessando o Gibraltar.

Posso dizer que esta viagem está no meu top 3 e surpreendeu-me muito positivamente. Vamos ao roteiro?

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Dunas Erg Chebbi

Marrocos em 11 dias
Lisboa – Algeciras

Saímos de Lisboa em direcção a Algeciras, Espanha. Demorámos cerca de 7h com paragens para esticar as pernas. Assim que chegámos fomos para a pensão que reservamos. Muito simples pois seria apenas para dormir umas horas antes de apanhar o ferry para Ceuta.

Algeciras – Ceuta

Apanhámos o ferry pelas 9h em direcção a Ceuta. Comprámos os bilhetes pela net com cerca de 15 dias de antecedência e 2 pessoas + carro fico por 120€. A viagem é curta e 1h depois já estávamos em Ceuta, no norte de África.

Nota: Levar comprimidos para o enjoo que mesmo sendo uma viagem rápida dá para enjoar.

Optámos por fazer Algeciras – Ceuta porque quisemos começar a viagem por Chefchaouen, a pérola azul. No entanto existem outros percursos de ferry consoante os vossos destinos, sendo o mais conhecido Tarifa (Espanha) até Tânger (Marrocos).

Ceuta – Chefchaouen

Chefchaouen é chamada de pérola azul e faz todo o sentido. É uma cidade pequena, escondida entre as Montanhas Rife e todas as ruas são pintadas de azul.

Assim que chegámos compramos um cartão móvel marroquino para termos acesso a net durante os restantes dias. Passámos duas noites na cidade e deu para ver maior parte das ruelas. Existem várias lojas pequenas pela cidade e tudo é feito artesanalmente, desde tapetes a sabonetes. Eu lembro-me que comprei cerca de 10 sabonetes por uma ninharia.

Foi um dos momentos altos da viagem. Tinha visto em fotografias o azul da cidade mas acreditem que ao vivo é mil vezes melhor e mais garrido.

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Uma pérola na pérola azul

Chefchaouen – Fez

Saímos da pérola azul e começamos a descer no mapa em direcção a Fez, onde passamos três noites.

Fez é cidade mais antiga de Marrocos com os seus 13 séculos de existência. A verdade é que a cidade é caótica, com milhares de ruelas estreitas e a cada passo que dava era abordada por alguém a oferecer ajuda em troca de dinheiro. Este é um mantra de Marrocos – todos querem ajudar, em troca de algo. Claro.

No entanto, Fez tem os seus encantos: o esquema labiríntico do distrito de Fez-El-Bali, portão Bab Boujloud, as mesquitas (ok que não pude entrar nelas por ser fêmea, mas pelo que consegui espreitar pareceram giras), e o pico para mim são os mercados onde pude testar a minha arte de negociações.

Fez – Merzouga

Saindo de Fez em direcção a Merzouga e o deserto do Sahara. Foi a maior distância que percorremos de seguida e demorámos cerca de 8h a chegar ao deserto. Em Merzouga decidimos dormir uma noite no deserto do Sahara, então arranjamos um guia berbere (tribo do deserto) que nos levou de dromedário até ao deserto e às dunas de Erg Chebbi.

Aproveitámos a tarde pelas dunas, fizemos sandboard (quer dizer, eu não que o meu cu gordo não teve vontade de rebolar pelas dunas e comer areia), e bebemos o típico chá a ver o pôr-do-sol. Dormimos em tendas berberes e tenho a dizer que tive imenso frio de noite. Se me tocassem na testa eu partia-me como se fosse de porcelana.

Tentei escolher uma experiência o mais autêntica possível, não indo para piscinas no meio do deserto com alojamentos com ar condicionado, e foi uma experiência única. A “excursão” custou 60€ por pessoa.

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Deserto Sahara

Merzouga – Ouarzazate

Três centenas de quilómetros separam o deserto da cidade dos Kasbahs – casas fortificadas feitas em adobe, um estilo arquitetónico feitas com um mistura de barro e palha.

Fizemos uma paragem em Tinghir para conhecer o desfiladeiro Gargantas do Todra. Para observar a imponência do desfiladeiro, fizemos uma pequena caminhada ao longo do rio Todra. Vale a pena conhecer! De seguida fomos até Ait-Benhaddou – UNESCO Património Mundial no sul de Marrocos. Aqui foram gravados dezenas de filmes de Hollywood, como o Kingdom of Heaven, Alexander, O Gladiador, A Múmia, A Joia do Nilo, Babel e Prince of Persia.

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Gargantas do Tondra

Ouarzazate – Marraquexe

Seguimos em direcção a Marraquexe, a cidade que tinha mais expectativas e vontade de conhecer. Passámos 3 noites na cidade vermelha, cheia de cheiros, pessoas e sons.

A não perder em Marraquexe:

  • Praça Jemaa el-Fna – O coração da cidade.
  • Mesquita Koutubia
  • Medina – Perder-se pela medina pode ser assustador e maravilhoso ao mesmo tempo. Lá podes encontrar os pontos mais emblemáticos como: Le Jardin Secret, a Medersa Ali Ben Youssef, a fonte Chrob, a cúpula Qubba Almorávida, entre outros.
  • Jardim Majorelle

Apesar de Marraquexe ser linda, é também (a meu ver) a cidade mais caótica de Marrocos e onde tiver várias desventuras em tão pouco tempo. As minhas expectativas não foram alcançadas para este destino.

Marraquexe – Rabat

Quase a terminar a viagem em terras marroquinas, seguimos de Marraquexe para Rabat, fazendo uma paragem em Casablanca. Conhecemos a antiga medina de Rabat, que é pequena, organizada, limpa e tranquila. O oposto de Marraquexe. Vale a pena conhecer a Torre Hassan e os Kasbah dos Udaias que me fizeram regressar a Chefchaouen.

Rabat – Ceuta

De regresso ao ponto de partida, fomos conhecer Ceuta. Cidade espanhola em território africano. Pernoitámos por lá e no dia seguinte apanhámos o ferry de volta até Gibraltar e regressámos para Lisboa.

 

No total fizemos mais de 3300 quilómetros de carro, caminhamos o que me pareceu 1000 quilómetros perdida nas ruas e becos das medinas, comi tanta tagine que hoje, 3 anos depois ainda não posso com o cheiro.

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Dicas e notas
  1. Em Marrocos é preciso negociar. TUDO. Desde souvenirs, marroquinaria, o táxi e um hotel marcado em cima do joelho. Os preços para o viajante estão sempre inflacionados e quando dizem que não conseguem baixar mais o valor, virem costas. O milagre acontece depois. Se eles começarem aos gritos e a gesticular muito, faz parte da negociação e significa que vocês vão ganhar.
  2. Para Marrocos é preciso passaporte. Lembra-te de tirar o teu com antecedência.
  3. Tem cuidado com as velocidades e consequentemente com os radares, há muitas operações de caça à multa. Especialmente a quem tenha carro com matricula estrangeira.
  4. Em maior parte das cidades, os carros não entram dentro das muralhas. O que significa que para estacionar o carro é necessário uma perícia ou então confiar nos arrumadores locais. Eles vão pedir que não traves o carro com o travão de mão, é normal, faz parte do seu sistema para conseguirem movimentar o carro de forma a encaixar sempre mais um por perto.

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